Allan Kardec

(03/10/1804 - 31/03/1869)

O mestre lionês      Tópicos sobre AK      Obras básicas

O mestre lionês

(Extraído de "Obras Póstumas" de Allan Kardec)

Nascido em Lion, a 3 de outubro de 1804, de uma família antiga que se distinguiu na magistratura e na advocacia, Allan Kardec (Hippolyte Léon Denizard Rivail) não seguiu essas carreiras. Desde a primeira juventude, sentiu-se inclinado ao estudo das ciências e da filosofia.

Educado na Escola de Pestalozzi, em Yverdun (Suíça), tornou-se um dos mais eminentes discípulos desse célebre professor e um dos zelosos propagandistas do seu sistema de educação, que tão grande influência exerceu sobre a reforma do ensino na França e na Alemanha.

Dotado de notável inteligência e atraído para o ensino, pelo seu caráter e pelas suas aptidões especiais, já aos catorze anos ensinava o que sabia àqueles dos seus condiscípulos que haviam aprendido menos do que ele. Foi nessa escola que lhe desabrocharam as idéias que mais tarde o colocariam na classe dos homens progressistas e dos livre-pensadores.

Nascido sob a religião católica, mas educado num país protestante, os atos de intolerância que por isso teve de suportar, no tocante a essa circunstância, cedo o levaram a conceber a idéia de uma reforma religiosa, na qual trabalhou em silêncio durante longos anos com o intuito de alcançar a unificação das crenças. Faltava-lhe, porém, o elemento indispensável à solução desse grande problema.

O Espiritismo veio, a seu tempo, imprimir-lhe especial direção aos trabalhos.

Concluídos seus estudos, voltou para a França. Conhecendo a fundo a língua alemã, traduzia para a Alemanha diferentes obras de educação e de moral e, o que é muito característico, as obras de Fénelon, que o tinham seduzido de modo particular.

Era membro de várias sociedades sábias, entre outras, da Academia Real de Arras, que, em o concurso de 1831, lhe premiou uma notável memória sobre a seguinte questão: Qual o sistema de estudos mais de harmonia com as necessidades da época?

De 1835 a 1840, fundou, em sua casa, à rua de Sèvres, cursos gratuitos de Química, Física, Anatomia comparada, Astronomia, etc., empresa digna de encômios em todos os tempos, mas, sobretudo, numa época em que só um número muito reduzido de inteligências ousava enveredar por esse caminho.

Preocupado sempre com o tornar atraentes e interessantes os sistemas de educação, inventou, ao mesmo tempo, um método engenhoso de ensinar a contar e um quadro mnemônico da História de França, tendo por objetivo fixar na memória as datas dos acontecimentos de maior relevo e as descobertas que iluminaram cada reinado.

Entre as suas numerosas obras de educação, citaremos as seguintes: Plano proposto para melhoramento da Instrução pública (1828); Curso prático e teórico de Aritmética, segundo o método Pestalozzi, para uso dos professores e das mães de família (1824); Gramática francesa clássica (1831); Manual dos exames para os títulos de capacidade; Soluções racionais das questões e problemas de Aritmética e de Geometria (1846); Catecismo gramatical da língua francesa (1848); Programa dos cursos usuais de Química, Física, Astronomia, Fisiologia, que ele professava no Liceu Polimático; Ditados normais dos exames da Municipalidade e da Sorbona, seguidos de Ditados especiais sobre as dificuldades ortográficas (1849), obra muito apreciada na época do seu aparecimento e da qual ainda recentemente eram tiradas novas edições.

Antes que o Espiritismo lhe popularizasse o pseudônimo de Allan Kardec, já ele se ilustrara, como se vê, por meio de trabalhos de natureza muito diferente, porém tendo todos, como objetivo, esclarecer as massas e prendê-las melhor às respectivas famílias e países.

Pelo ano de 1855, posta em foco a questão das manifestações dos Espíritos, Allan Kardec se entregou a observações perseverantes sobre esse fenômeno, cogitando principalmente de lhe deduzir as conseqüências filosóficas. Entreviu, desde logo, o princípio de novas leis naturais: as que regem as relações entre o mundo visível e o mundo invisível. Reconheceu, na ação deste último, uma das forças da Natureza, cujo conhecimento haveria de lançar luz sobre uma imensidade de problemas tidos por insolúveis, e lhe compreendeu o alcance, do ponto de vista religioso.

Suas obras principais sobre esta matéria são: O Livro dos Espíritos, referente à parte filosófica, e cuja primeira edição apareceu a 18 de abril de 1857; O Livro dos Médiuns, relativo à parte experimental e científica (janeiro de 1861); O Evangelho segundo o Espiritismo, concernente à parte moral (abril de 1864); O Céu e o Inferno, ou A justiça de Deus segundo o Espiritismo (agosto de 1865); A Gênese, os Milagres e as Predições (janeiro de 1868); A Revista Espírita, jornal de estudos psicológicos, periódico mensal começado a 1º de janeiro de 1858. Fundou em Paris, a 1º de abril de 1858, a primeira Sociedade espírita regularmente constituída, sob a denominação de Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, cujo fim exclusivo era o estudo de quanto possa contribuir para o progresso da nova ciência. Allan Kardec se defendeu, com inteiro fundamento, de coisa alguma haver escrito debaixo da influência de idéias preconcebidas ou sistemáticas. Homem de caráter frio e calmo, observou os fatos e de suas observações deduziu as leis que os regem. Foi o primeiro a apresentar a teoria relativa a tais fatos e a formar com eles um corpo de doutrina, metódico e regular.

Demonstrando que os fatos erroneamente qualificados de sobrenaturais se acham submetidos a leis, ele os incluiu na ordem dos fenômenos da Natureza, destruindo assim o último refúgio do maravilhoso e um dos elementos da superstição.

Durante os primeiros anos em que se tratou de fenômenos espíritas, estes constituíram antes objeto de curiosidade, do que de meditações sérias. O Livro dos Espíritos dez que o assunto fosse considerado sob aspecto muito diverso. Abandonaram-se as mesas girantes, que tinham sido apenas um prelúdio, e começou-se a atentar na doutrina, que abrange todas as questões de interesse para a Humanidade.

Data do aparecimento de O Livro dos Espíritos a fundação de Espiritismo que, até então, só contara com elementos esparsos, sem coordenação, e cujo alcance nem toda gente pudera apreender. A partir daquele momento, a doutrina prendeu a atenção de homens sérios e tomou rápido desenvolvimento. Em poucos anos, aquelas idéias conquistaram numerosos aderentes em todas as camadas sociais e em todos os países. Esse êxito sem precedentes decorreu sem dúvida da simpatia que tais idéias despertaram, mas também é devido, em grande parte, à clareza com que foram expostas e que é um dos característicos dos escritos de Allan Kardec.

Evitando as fórmulas abstratas da Metafísica, ele soube fazer que todos o lessem sem fadiga, condição essencial à vulgarização de uma idéia. Sobre todos os pontos controversos, sua argumentação, de cerrada lógica, poucas ensanchas oferece à refutação e predispõe à convicção. As provas materiais que o Espiritismo apresenta da existência da alma e da vida futura tendem a destruir as idéias materialistas e panteístas. Um dos princípios mais fecundos dessa doutrina e que deriva do precedente é o da pluralidade das existências, já entrevisto por uma multidão de filósofos antigos e modernos e, nestes últimos tempos, por João Reynaud, Carlos Fourier, Eugênio Sue e outros. Conservara-se, todavia, em estado de hipótese e de sistema, enquanto o Espiritismo lhe demonstrara a realidade e prova que nesse princípio reside um dos atributos essenciais da Humanidade. Dele promana a explicação de todas as aparentes anomalias da vida humana, de todas as desigualdades intelectuais, morais e sociais, facultando ao homem saber donde vem, para onde vai, para que fim se acha na Terra e por que aí sofre.

As idéias inatas se explicam pelos conhecimentos adquiridos nas vidas anteriores; a marcha dos povos e da Humanidade, pela ação dos homens dos tempos idos e que revivem, depois de terem progredido; as simpatias e antipatias, pela natureza das relações anteriores. Essas relações, que religam a grande família humana de todas as épocas, dão por base, aos grandes princípios de fraternidade, de igualdade, de liberdade e de solidariedade universal, as próprias leis da Natureza e não mais uma simples teoria.

Em vez do postulado: Fora da Igreja não há salvação, que alimenta a separação e a animosidade entre as diferentes seitas religiosas e que há feito correr tanto sangue, o Espiritismo tem como divisa: Fora da Caridade não há salvação, isto é, a igualdade entre os homens perante Deus, a tolerância, a liberdade de consciência e a benevolência mútua.

Em vez da fé cega, que anula a liberdade de pensar, ele diz: Não há fé inabalável, senão a que pode encarar face a face a razão, em todas as épocas da Humanidade. A fé, uma base se faz necessária e essa base é a inteligência perfeita daquilo em que se tem de crer. Para crer, não basta ver, é preciso, sobretudo, compreender. A fé cega já não é para este século. É precisamente ao dogma da fé cega que se deve o ser hoje tão grande o número de incrédulos, porque ela quer impor-se e exige a abolição de uma das mais preciosas faculdades do homem: o raciocínio e o livre-arbítrio.

Trabalhador infatigável, sempre o primeiro a tomar da obra e o último a deixá-la, Allan Kardec sucumbiu, a 31 de março de 1869, quando se preparava para uma mudança de local, imposta pela extensão considerável de suas múltiplas ocupações. Diversas obras que ele estava quase a terminar, ou que aguardavam oportunidade para vir a lume, demonstrarão um dia, ainda mais, a extensão e o poder das suas concepções.

Morreu conforme viveu: trabalhando. Sofria, desde longos anos, de uma enfermidade do coração, que só podia ser combatida por meio do repouso intelectual e pequena atividade material. Consagrado, porém, todo inteiro à sua obra, recusava-se a tudo o que pudesse absorver um só que fosse de seus instantes, à custa das suas ocupações prediletas. Deu-se com ele o que se dá com todas as almas de forte têmpera: a lâmina gastou a bainha.

O corpo se lhe entorpecia e se recusava aos serviços que o Espírito lhe reclamava, enquanto este último, cada vez mais vivo, mais enérgico, mais fecundo, ia sempre alargando o círculo de sua atividade.

Nessa luta desigual não podia a matéria resistir eternamente. Acabou sendo vencida: rompeu-se o aneurisma e Allan Kardec caiu fulminado. Um homem houve de menos na Terra; mas, um grande nome tomava lugar entre os que ilustraram este século; um grande Espírito fora retemperar-se no Infinito, onde todos os que ele consolara e esclarecera lhe aguardavam impacientemente a volta!

A morte, dizia, faz pouco tempo, redobra os seus golpes nas fileiras ilustres!... A quem virá ela agora libertar?

Ele foi, como tantos outros, recobrar-se no Espaço, procurar elementos novos para restaurar o seu organismo gasto por um vida de incessantes labores. Partiu com os que serão os fanais da nova geração, para voltar em breve com eles a continuar e acabar a obra deixada em dedicadas mãos.

O homem já aqui não está; a alma, porém, permanecerá entre nós. Será um protetor seguro, uma luz a mais, um trabalhador incansável que as falanges do Espaço conquistaram. Como na Terra, sem ferir a quem quer que seja, ele fará que cada um lhe ouça os conselhos oportunos; abrandará o zelo prematuro dos ardorosos, amparará os sinceros e os desinteressados e estimulará os mornos. Vê agora e sabe tudo o que ainda há pouco previa! Já não está sujeito às incertezas, nem aos desfalecimentos e nos fará partilhar da sua convicção, fazendo-nos tocar com o dedo a meta, apontando-nos o caminho, naquela linguagem clara, precisa, que o tornou aureolado nos anais literários.

Já não existe o homem, repetimo-lo. Entretanto, Allan Kardec é imortal e a sua memória, seus trabalhos, seu Espírito estarão sempre com os que empunharem forte e vigorosamente o estandarte que ele soube sempre fazer respeitado.

Uma individualidade pujante constituiu a obra. Era o guia e o fanal de todos. Na Terra, a obra subsistirá o obreiro. Os crentes não se congregarão em torno de Allan Kardec; congregar-se-ão em torno do Espiritismo, tal como ele o estruturou e, com os seus conselhos, sua influência, avançaremos, a passos firmes, para as fases ditosas prometidas à Humanidade regenerada.

 

Tópicos sobre o codificador

Aqui apresentamos aos nossos internautas, buscamos alguns tópicos interessantes e desconhecidos da maioria, no que se refere à vida de Codificador.

Os dados foram extraídos da substanciosa obra: ALLAN KARDEC - Meticulosa Pesquisa Biobibliográfica, em 3 volumes, editada pela Federação Espírita Brasileira, em Dezembro de 1979, de autoria de Zéus Wantuil e Francisco Thiesen, cujas notas separamos por volume.

Nosso propósito é informar aos interessados sobre nuances da vida de Hippolyte Léon Denizard Rivail - Allan Kardec.

"Toda escritura divinamente inspirada é proveitosa."
 Paulo - I Timóteo

Volume 1    

"Nos 65 anos da passagem de Rivail por este mundo, foi a educação, sob diferentes ângulos e matizes, o centro de todas as suas atividades." - pág. 27

"A mãe de Rivail o visitava "em sonhos" - segundo revelações mediúnicas." - pág. 125

"O nome do Codificador do Espiritismo, antes de adotar o pseudônimo ALLAN KARDEC, deve ser escrito:
- HIPPOLYTE LÉON DENIZARD RIVAIL, baseado:
- nos registros de nascimento e de batismo
- no registro de casamento
- em todas as obras pedagógicas que publicou
- nos documentos públicos
- na maioria dos autores que citam o seu nome
- em Albert Dauzat, escritor, lingüista e escritor em Paris." - pág. 197

"A mãe de Hippolyte, Jeanne Louise Duhamel, era "uma mulher notavelmente bela, prendada, elegante e afável", a quem ele devotava profundo afeto. (palavras de Anna Blackwell)" - pág. 29.

"A partir de meados de 1855 (maio) é que Rivail começou seus estudos sérios do Espiritismo." - pág. 76.

"Seu interesse pela Botânica levava-o, por vezes, - conforme assinalou Anna Blackwell -, a passar um dia inteiro nas montanhas próximas a Yverdon, com sacola às costas, à procura de espécimes para o seu herbário." - pág. 53

"Em 1815, na França, havia cerca de 2 milhões de crianças sem educação primária." - pág. 46

"Os professores eram, em geral, falhos de conhecimentos e mal remunerados ... ." - pág. 46

"Rivail iniciu-se no estudo do magnetismo, por volta de 1923, indo até 1858 - 35 anos."- pág. 103

"Hippolyte casou-se com 27 anos e 4 meses de idade, com Amélie Gabrielle Boudet, que era 9 anos mais velha do que ele. Não tiveram filhos." - pág. 116

"Não mais crerá (o homem) em almas do outro mundo e em fantasmas. Não mais tomará fogos-fátuos por espíritos." - Palavras de Rivail aos 24 anos de idade. - pág. 120

"Ao que tudo indica, Rivail teria trabalhado para o "Théâtre de Delassements-Comiques" após 1850. Mas, já em 1845 era apresentada nesse teatro, uma comédia - Vaudeville, em 1 ato e 13 cenas, de sua autoria e Ane Gallois." - pág. 167

"O despeito contra Hippolyte era de tal modo que um dramaturgo fê-lo passar por diretor de um teatro de mulheres." - pág. 169

"Rivail empregou-se como contabilista de 3 casas comerciais, trabalho que lhe rendia de cerca de 7 mil francos por ano." - pág 136

"Durante 30 anos ele se dedicou ao magistério, na condição de respeitabilíssimo "chef d'institution" da Academia de Paris." - pág. 145

"Foi, por vários anos, secretário da Sociedade Frenológica de Paris." - Frenologia: estudo do caráter e das funções intelectuais do homem, pelas localizações cerebrais. (acréscimo nosso) - pág. 180

"Se bem que muito versado na ciência médica, ele entretando, oficialmente, jamais colou o grau de Doutor." - pág. 200

"A estatura de Rivail era de 1,65 m." - pág. 201

"... Escudados em longa afanosa pesquisa, inclusive nas coleções da Revue Spirite, apenas existiu, entre Rivail e Maçonaria, afinidades de princípios e ideais, sem jamais haver ele  ingressado em loja alguma." - pág 161

Volume 2

"De 1835 a 1840, Rivail organizou e ministrou cursos gratuitos de química, física, astronomia, fisiologia, anatomia comparada, etc." - pág. 136

"Zéfiro era o Espírito Protetor de Kardec e o seu Guia Espiritual se denominava a Verdade." - pág. 125

"Convém mesmo não entrar em nenhuma explicação com os incrédulos obstinados; seria dar-lhes muita importância e fazê-los crer que se depende deles." - pág. 250

"... os pueris prazeres deste mundo não asseguram melhor lugar no outro." - pág. 255

"Kardec declara-se "inimigo de toda polêmica agressiva e incoveniente, venha de onde vier"." - pág. 283

"... o Espiritismo nos diz para lermos tudo, pró e contra ... e escoher com o conhecimento de causa." - pág 289

"Jamais useis de represálias: a violência, oponde a doçura e uma inalterável tranqüilidade; aos inimogos, devolvei o bem pelo mal." - pág. 311

"Allan Kardec sofreu os percalços da existência, as dores, desilusões, perseguições, calúnias, decepções, ingratidões, juntamente com sua esposa e todo um elento de provas espinhosas." - pág. 6

"A primeira edição de "O Livro dos Espíritos" dividia-se em 3 livros (partes), com 501 perguntas e casa página continha 2 colunas." - pág. 104

"Contra Kardec e o Espiritismo, ouvia-se:
    . sermões violentos
    . mandamentos
    . anátemas
    . excomunhões
    . perseguiçòes individuais
    . livros
    . brochuras
    . artigos em jornais
    . calúnias
    . auto-de-fé (como o de Barcelona)" - Obras Póstumas

"... Em muitas localidades, o Espiritismo penetrara graças as pregações que o atacavam." - pág. 221

"Para que alguém se liberte das idéias alheias, há de ter idéias próprias." - pág. 239

"Os adversários do Espiritismo falam dele como os cegos falam das cores." - pág. 247

"É querer cortar uma árvore só porque deu fruto bichado." - pág. 271

Volume 3

"Em Espiritismo não cabem omissões, mas constantes testemunhos." - pág. 224 - Canuto Abreu, a propósito da palavra Espírita.

"Eleva-se a dezenas o número de autores, com suas respectivas obras, pesquisadas por Allan Kardec." - pág. 25

"Quando um mal existe, ele não se cura sem crise." - (comunicação à Kardec). - pág. 39

"O Doutor Demeure e Cristiano Frederico Samuel HAHNNEMANN (espíritos), faziam parte, no Espaço, da falange protetora de Kardec." - pág. 113

"Kardec demonstrava possuir vasto conhecimento da técnica e da expressão novelística ao descorrer, longamente, sobre os romances em geral." - pág. 64

"... senti que não tinha tempo a perder e não perdi; nem em visitas inúteis, nem em cerimônias estéreis." - pág. 77

"Proibir um livro é sinal que o tememos." - págs. 44 e 45 - RS - 1861

"Segundo comunicação por Chico Xavier, Kardec é um dos mais lúcidos Apóstolos de Jesus, sendo assistido em grau de alta cobertura espiritual." - pág. 82

"Kardec teve uma premonição tecnológica, ao sonhar com o uso da borracha ao redor de uma roda (pneumático)." - págs. 114 e 115

"ALLAN = Harmonia (paz-concórdia). É uma palavra de origem Celta
  KARD = Quarto ou Quarta (4º ou 4ª).
  EC = Sufixo bretão (idioma de origem Celta que significa GRANDE)

    Então, temos:
    ALLAN KARDEC: A 4ª Grande Harmonia.

    Concluindo:
    1ª Harmonia = Mosaismo      
    2ª Harmonia = Cristianismo        As 3 Revelações."
    3ª Harmonia = Espiritismo    

"Kardec dirigiu a Revista Espírita durante 11 anos e 3 meses (de 01/01/1858 a 31/03/1869)." - pág. 32

"... ele debatia com Espírito São Luis, certas respostas e até mesmo discordava de outras, não muito claras e precisas, o que levava o Espírito a reescrevê-las." - pág. 42

"Havia falsos Espíritas, perigosos, porque estavam dentro das fileiras do Espiritismo." - pág. 46

"As dificuldades e os obstáculos, longe de me atemorizarem, redobraram as minhas energias." - pág. 76

"O Espírito Zéfiro, por volta de 1865, estava em preparativos para uma nova reencarnação." - pág. 80

"Vez por outra, reaparecem os "Allan Kardec" reencarnados. No Brasil, ao que sabemos, chegaram a existir 2 numa mesma ocasião." - pág. 84. Obs.: Em Rio Claro/SP, a cerca de um ano, desencarnou o cidadão que se dizia ser Allan Kardec reencarnado, e seu pai João Evangelista.

"Zéfiro apesar de protetor de Kardec, era de nível evolutivo abaixo do dele." - pág. 81

"Kardec e Amélie Boudet viveram juntos cerca de 37 anos." - pág. 119

"Kardec foi vítima de odiosas calúnias e de extravagantes e impudentes difamações."- pág. 131

"O monumento Druídico que constitui o túmulo do Codificador, totaliza, em suas pedras, um peso superior a 30 toneladas." - pág. 135

"Entre túmulos de personalidades famosas, o de Kardec é o de número 44, no Cemitério do Père-Lachaise."- pág. 149

"Os sacerdotes escreviam incentivando o combate ao Espiritismo por todos os meios, pois afirmavam que era preciso até odiar a nossa Doutrina." - pág. 161

" "Só haverá exito a preço de sacrifícios" "... e quem diz sacrifício diz exclusão de toda ideia de lucro". " - pág. 317

"... apologista da emancipação legal da mulher." - pág. 335

"... o agênere pode esvanecer-se com a rapidez do relâmpago." - pág 342

"Pulverizar obstáculos." - pág. 278

" "Jamais o via (Kardec) rir" embora "algumas ocasiões apresentava fisionomia radiante, com um sorriso agradável"." - pág. 131

"Allan Kardec se levantava às 4:30 horas da manhã, em qualque estação ... ." - pág. 131

"O fato de ser imitado o fenômeno não destroi esse fenômeno." - pág. 235

"O Espiritismo é uma revelação ininterrupta." - pág. 259

 

Obras básicas da codificação

O LIVRO DOS ESPÍRITOS

Este é o livro básico da Filosofia Espírita.

Nele estão contidos os princípios básicos do Espiritismo, tal como foram transmitidos pelos Espíritos Superiores a Allan Kardec, através do concurso de diversos médiuns.

Seu conteúdo é apresentado em 4 partes: Das causas primárias, Do mundo espírita ou dos espíritos, Das leis morais e Das esperanças e consolações.

Eis alguns assuntos de que trata: prova da existência de Deus, Espírito e Matéria, formação dos mundos e dos seres vivos, povoamento da Terra, pluralidade dos mundos, origem e natureza dos Espíritos, perispírito, objetivos da encarnação, sexo nos Espíritos, percepções, sensações e sofrimentos dos Espíritos, aborto, sono e sonhos, influência dos Espíritos nos acontecimentos da vida, pressentimentos, Espíritos protetores e outros temas de real interesse ao homem atual.

Na parte relativa às Leis Morais, os temas versam sobre o bem e o mal, a prece, necessidade do trabalho, casamento, celibato, necessário e supérfluo, pena de morte, influência do Espiritismo no progresso da Humanidade, desigualdades sociais, igualdade dos direitos do homem e da mulher, livre- arbítrio e conhecimento de si mesmo.

E, finalmente, na última parte, refere-se aos temas: perdas de entes queridos, temor da morte, suicídio, natureza das penas e gozos futuros, Paraíso, Inferno e Purgatório.

É um livro que abre novas perspectivas ao homem, pela interpretação que dá aos diversos aspectos da vida, sob o prisma das Leis Divinas, da existência e sobrevivência do espírito e sua evolução natural e permanente, através das encarnações sucessivas.

Seus ensinamentos conduzem o homem atual à redescoberta de si mesmo, no campo do espírito, fornecendo-lhe recursos para que compreenda, sem mistério, quem é, de onde veio e para onde vai.

O LIVRO DOS  MÉDIUNS           

Este livro reúne o ensino especial dos Espíritos Superiores sobre a explicação de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com os espíritos, o desenvolvimento da Mediunidade, as dificuldades e os tropeços que eventualmente possam surgir na prática mediúnica.

É constituído de duas partes: Noções preliminares e Das Manifestações espíritas.

Dentre os vários assuntos que aborda, destaca-se: provas da existência dos espíritos, o maravilhoso e o sobrenatural, modos de se proceder com os materialistas, três classes de espíritas, ordem a que devem obedecer os estudos espíritas; a ação dos espíritos sobre a matéria, manifestações inteligentes, as mesas girantes, manifestações físicas, visuais, bi-corporeidade, psicografia, laboratório do mundo invisível, ação curadora, lugares assombrados (com comentários sobre o exorcismo); tipos de médiuns e sua formação, perda e suspensão da Mediunidade, inconvenientes e perigos da Mediunidade, a influência do meio moral do médium nas comunicações espíritas, mediunidade nos animais, obsessão e meios de a combater; trata também de assuntos referentes à identidade dos Espíritos, às evocações de pessoas vivas, à telegrafia humana, além de vários temas intimamente relacionados com o  Espiritismo experimental. 

Não menos importante são os capítulos dedicados às reuniões nas sociedades espíritas, ao regulamento oficial da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e ao Vocabulário Espírita.

Como se observa, o Livro dos Médiuns é a obra básica da Ciência Espírita; graças a ele, o Espiritismo firmou-se como Ciência Experimental.

Embora publicado há mais de 130 anos, seu conteúdo é atual; seus ensinamentos permitem ao leitor estabelecer relações evidentes da Ciência Espírita com várias conquistas científica da atualidade

 

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

Enquanto o Livro dos Espíritas apresenta a Filosofia Espírita e o Livro dos Médiuns a Ciência Espírita, O Evangelho Segundo o Espiritismo oferece a base do roteiro da Religião Espírita.

Logo na introdução deste livro, o leitor encontrará as explicações de Kardec sobre o objetivo da obra, esclarecimentos sobre a autoridade da Doutrina Espírita, a significação de muitas palavras freqüentemente empregadas nos textos evangélicos, a fim de facilitar a compreensão do leitor para o verdadeiro sentido de certas máximas do Cristo, que à primeira vista podem parecer estranhas.

Ainda na introdução, refere-se a Sócrates e a Platão como precursores da Doutrina Cristã e do Espiritismo.

O Evangelho Segundo o Espiritismo compõe-se de 28 capítulos, 27 dos quais dedicados à explicação das máximas de Jesus, sua concordância com o Espiritismo e sua aplicação às diversas situações da vida.

O último capítulo apresenta uma coletânea de preces espíritas, sem entretanto, constituir um formulário absoluto, mas uma variante dos ensinamentos dos Espíritos, no campo da moral.

Os ensinamentos que contém são adaptáveis a todas as pátrias, comunidades e raças. É o Código de princípios morais do Universo, que restabelece o ensino do Evangelho de Jesus, no seu verdadeiro sentido, isto é, em Espírito e Verdade.

Sua leitura e estudo são imprescindíveis aos espíritas e a todos que se preocupam com a formação moral das criaturas, independente da crença religiosa.

É fonte inesgotável de sugestões para a construção de um Mundo de Paz e Fraternidade.

 

 

O CÉU E O INFERNO

Denominado também “A Justiça Divina Segundo o Espiritismo”, este livro oferece o exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual.

Na primeira parte, são expostos vários assuntos: causas do temor da morte, porque os espíritas não temem a morte, o céu, o inferno, o inferno cristão imitado do pagão, os limbos, quadro do inferno pagão, esboço do inferno cristão, purgatório,  doutrina das penas eternas, código penal da vida futura, os anjos segundo a igreja e segundo o Espiritismo; aborda também vários pontos relacionados com a origem da crença nos demônios, segundo a Igreja e o Espiritismo, intervenção dos demônios nas modernas manifestações, a proibição de evocar os mortos.

A segunda parte deste livro é dedicada ao Passatempo; Kardec reuniu várias dissertações de casos reais, a fim de demonstrar a situação da alma, durante e após a morte física, proporcionando ao leitor amplas condições para que possa compreender a ação da Lei de Causa e Efeito, em perfeito equilíbrio com as Leis Divinas; assim, constam desta parte, narrações de espíritos infelizes, espíritos em condições medianas, sofredores, suicidas, criminosos e espíritos endurecidos.

O Céu e o Inferno coloca ao alcance de todos o conhecimento do mecanismo pelo qual se  processa a Justiça Divina, em concordância com o princípio evangélico: “A cada um, segundo suas obras”.

 

 

A GÊNESE

“Esta nova obra, esclarece Kardec, é mais um passo no terreno das conseqüências e das aplicações do Espiritismo. Conforme seu título o indica, ela tem por objeto o estudo dos três pontos, até agora, diversamente interpretados e comentados: a Gênese, os Milagres e as Predições, em suas  relações com as novas leis decorrentes da observação dos fenômenos espíritas”.

Assim, em seus 18 capítulos, destacam-se os temas: caráter da revelação Espírita, existência de Deus, origem do bem e do mal, destruição dos seres vivos uns pelos outros; refere-se à uranografia geral, com várias explicações sobre leis naturais, a criação e a vida no Universo, a formação da terra, o dilúvio bíblico e os cataclismos futuros; em seguida, apresenta interessante estudo sobre a formação primária dos seres vivos, o princípio vital,a geração espontânea, o homem corpóreo e a união espiritual à matéria.

No tocante aos Milagres, expõe amplo estudo, no sentido teológico e na interpretação espírita; faz comentários sobre os fluidos, sua natureza e propriedades, relacionando-os com a formação do perispírito, e, ao mesmo tempo, com a causa de alguns fatos tidos  como sobrenaturais.

Desta forma, dá explicação de vários “milagres”contidos nos Evangelhos, entre eles, O Cego de Betsaida, Os dez leprosos, O Cego de nascença, O paralítico da piscina, Lázaro, Jesus caminhando sobre as águas, A multiplicação dos pães e outros.

Posteriormente, expõe a teoria da Presciência e as  Predições do Evangelho, esclarecendo suas  causas, à luz da Doutrina Espírita.

Finalizando, este livro apresenta um capítulo intitulado “São chegados os tempos”, no qual aborda a marcha progressiva do Globo, no campo físico e moral, impulsionada pela Lei do Progresso.

Com este livro completa-se o conjunto das Obras Básicas da Codificação Espírita, também denominado “Pentateuco Kardequiano”.

 

 

OBRAS PÓSTUMAS            

Este livro foi publicado somente 21 anos  após a  desencarnação de Allan Kardec.

Constam dele a biografia de Allan kardec (transcrita da  Revista Espírita de maio de 1869) e o discurso de Camille Flammarion, pronunciado junto ao túmulo de allan Kardec. Ao  lado das obras  da  Codificação Espírita que formam o “Pentateuco Kardequiano”, Obras Póstumas constitui valiosa contribuição ao esclarecimento de vários temas fundamentais do Espiritismo, como: Deus, a alma, a criação, caracteres e  conseqüências religiosas das manifestações dos espíritos, o perispírito como princípio das manifestações, manifestações visuais, transfiguração, emancipação da alma, aparição de pessoas vivas, bi-corporeidade, obsessão e possessão, segunda vista, conhecimento do futuro, introdução ao estudo da fotografia e da telegrafia do pensamento.

Allan Kardec apresenta vasto estudo obre a natureza do Cristo, sob vários ângulos e incorpora a este estudo a opinião dos apóstolos e a predição dos profetas, com relação a Jesus.

Paralelamente trata também da teoria da beleza, estendendo os comentários à música celeste, à música espírita e encerra a primeira parte deste livro, com a exposição do tema “As alternativas da Humanidade”.

Na segunda parte relata, com detalhes, sua iniciação no Espiritismo, a revelação de sua missão, a identificação de seu Guia espiritual, além de outros fatos relacionados a acontecimentos pessoais.

Complementando, faz a apresentação da “Constituição do Espiritismo”, destacando a necessidade de se estabelecer uma Comissão Central para orientar o desenvolvimento doutrinário.  

É oportuno salientar que desta Constituição nasceu o Movimento de Unificação dos Espíritas do Estado de S. Paulo, que vem sendo coordenado pela U.S.E - União  das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo desde sua fundação em 1947.