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Yvonne A. Pereira

Pequena biografia da médium

“É necessário manter a integridade da casa espírita em todos os instantes.”

Yvonne A . Pereira

Trecho de mensagem recebida no CIEP de Rio das Flores, em 08/07/1995 por ocasião da XXXV Semana Espírita de Valença-Conservatória e Rio das Flores – Médium: Renê Pessa.

Yvonne do Amaral Pereira (este o seu verdadeiro nome) se constituiu , desde a algum tempo, como um dos maiores valores literários e doutrinários do Espiritismo no Brasil. Estudiosa de Kardec, exercia sua atividade mediúnica com extrema dedicação e responsabilidade. Nascida na antiga Villa de Santa Thereza de Valença-RJ,  hoje Rio das Flores, em 24 de dezembro de 1900, desencarnou no Rio de Janeiro, em 09 de março de 1984, no Hospital da Lagoa, enquanto aguardava a colocação de um marca-passo, o qual ela mesma já havia dispensado, por achar desnecessário pois iria desencarnar brevemente.   

Triste e sofredora foi sua infância, sendo que, com apenas 29 dias de nascida ia ser enterrada viva, já que era portadora de uma enfermidade rara, catalepsia e letargia ao mesmo tempo, conforme ficou comprovado mais tarde. Recordava-se de sua última existência com muita intensidade e pedia para ser levada a lugares que descrevia com detalhes. Por isso, era incompreendida. Mais tarde, esses lugares foram identificados , através de fotografias em revistas, como sendo a cidade de Barcelona na Espanha. Yvonne havia praticado o suicídio em vida passada. Afirmava que sua mediunidade não era missionária e sim “apenas uma reparação do meu passado.”

Passou a ver espíritos com apenas 5 anos de idade e a conversar com eles. Aos 10 anos (TUTI – tratamento carinhoso-afetivo-familiar que lhe dedicavam) já assistia reuniões mediúnicas em casa, com seus pais. Yvonne nasceu espírita e não conheceu outra religião em sua vida de 83 anos, 2 meses e 14 dias entre nós. Criada com simplicidade e até com certa pobreza , era discípula de Charles, seu pai espiritual em vidas transatas, bem como seu irmão e esposo em outras. Viveu, até os 10 anos, com sua avó paterna.

Aos 12 anos, seu pai colocou em suas mãos “ O Evangelho segundo o Espiritismo” e “O Livro dos Espíritos” e nessa idade ela já escrevia, magistralmente, textos literários e estudava sozinha, conforme afirmava, até as duas horas da madrugada. Aprendeu um pouco de música, chegando a dedilhar o piano, tendo porém, abandonado essa idéia. Renunciou ao ideal de professora por lhe faltar recursos financeiros. Sua vocação espírita era natural e sua mediunidade desenvolveu-se naturalmente. Quando adolescente habilitou-se em pendas domésticas: rendas, bordados, pinturas, flores, crochês, costuras, etc. Teve educação patriarcal severa. Tímida, trabalhou mais tarde numa casa de modas, no Rio de Janeiro, depois de haver “perdido” seus pais. Não se adaptou, porém.

Yvonne com Chico em Pedro Leopoldo

Em Lavras-MG, exerceu as funções de Secretária do Centro Espírita local além de Chefe do Posto mediúnico. Em Juiz de Fora-MG, também exerceu as mesmas funções e posteriormente Bibliotecária da casa Espírita, chegando a ser vice-Presidente daquela Instituição. A Biblioteca James Jansen foi criação sua. Colaborou na Fundação João de Freitas, na mesma cidade, e ensinou Trabalhos Manuais no Instituto Profissional Eugênio Braga. Em Barra do Piraí-RJ, lecionou Moral Cristã, no Colégio Ismael , do Grêmio Espírita de Beneficência. Dedicou-se por 54 anos ao receituário mediúnico, sendo assistida por Bezerra de Menezes no receituário homeopático. Trabalhou com Augusto Silva, Bittencourt Sampaio, Charles, Roberto de Canalejas, além de Bezerra de Menezes, na cura de enfermos. Orou a vida inteira pelos suicidas, socorrendo-os através de constantes desdobramento. Mais tarde, receberia a portentosa obra “Memórias de um suicida”, passada a ela através de desdobramento e de autoria do espírito suicida Camilo Castelo Branco. Teve uma imensa tarefa de consoladora dos oprimidos.

Trabalhou com Eurípedes Barsanulfo, obtendo significativas curas de paralíticos chegando a presenciar até mesmo fenômenos de materialização, em Lavras-MG, à sua revelia.